quinta-feira, 31 de outubro de 2013

1ª edição do evento Casa de Tendências revela nova face do consumidor brasileiro

    Debate promovido por Finish e Brastemp reúne palestrantes e os principais varejistas do País para projetar as tendências de consumo do lar e da família no Brasil.
     As novas estruturas dos lares e das famílias brasileiras foram tema da primeira edição do "Casa de Tendências - os lares brasileiros em transformação", evento realizado na última semana, na Amcham, em São Paulo. Patrocinada por Finish, marca líder mundial em detergentes para lava-louças, e pela Brastemp, uma das marcas da Whirlpool Latin America, a discussão trouxe análises e projeções acerca do comportamento e dos novos hábitos dos brasileiros, das novas conjunturas socioeconômicas, da indústria da facilidade e da arquitetura e decoração de ambientes domésticos. O debate contou com a participação dos especialistas Mirian Goldenberg, Mara Luquet, Marcelo Rosenbaum e Mario Fioretti (diretor de Design e Inovação da Whirlpool Latin America), com a mediação da jornalista Mônica Waldvogel.
     "O evento superou nossas expectativas. O objetivo era promover uma reflexão sobre as transformações no lar e na família brasileira nos últimos anos. Com a atuação dos palestrantes e a contribuição dos nossos convidados, os principais varejistas e importantes formadores de opinião do País, surgiram novos insights e ângulos para identificar as tendências do futuro dos nossos consumidores com muito mais clareza", afirma Renato Guiderolli, gerente de alianças estratégicas para América Latina da Reckitt Benckiser ao anunciar que as marcas já começam a planejar uma nova edição do Casa de Tendências.
     A Indústria da Facilidade - movimento contemporâneo que evidencia o papel dos fabricantes de eletrodomésticos em atender aos novos padrões comportamentais - foi o tema de Mario Fioretti, diretor de Design e Inovação da Whirlpool Latin America, dona da marca Brastemp. Mario iniciou seu discurso dizendo que "a indústria sempre dialoga com as tendências" e revelou que o futuro dos eletrodomésticos no Brasil está em atender a demanda por praticidade. "Temos identificado a demanda por eletrodomésticos com alta tecnologia, design inovador e, acima de tudo, com funcionalidades que facilitem a rotina do dia a dia", reforçou. Conectividade e inteligência serão, para Mario, os dois principais atributos desejados pelos consumidores, reforçando, também, o papel influenciador da arquitetura sobre o design de produtos como eletrodomésticos que, por conta dos ambientes integrados, começam a fazer parte da decoração da casa.
     Além disso, Mario chamou a atenção para o fato das chamadas cozinhas ou varandas gourmet estimularem a produção de eletrodomésticos e utensílios mais "masculinos". Destacou ainda a tendência das indústrias imobiliária e moveleira na atuação em conjunto com os fabricantes de eletrodomésticos, objetivando a adaptação de pequenos espaços, comuns nos novos empreendimentos, aos aparelhos. "Assim como o lar em si, os eletrodomésticos refletem a personalidade de quem os utiliza", concluiu.
     Entre os produtos discutidos no encontro, a lava-louças foi destacada em muitos momentos, já que facilita a vida do consumidor e segundo pesquisa da Nielsen está presente em apenas 2% dos lares brasileiros. Especialistas ressaltam que para ganhar espaço no mercado é necessária uma mudança de atitude, pois os equipamentos atuais se diferem muito dos primeiros modelos lançados, já que atualmente esse aliado da cozinha higieniza de cristais a panelas, sem necessidade de limpeza prévia dos utensílios.      Além disso, ao optar por lavar a louça a mão, há um impacto da praticidade, já que gasta-se 300 horas por ano com a tarefa (cerca de 49 minutos por dia em uma família de 4 pessoas) e também ambiental, pois são cerca de 120 litros de água utilizados no processo manual (fonte: Sabesp), contra de 12 a 20 litros com o eletrodoméstico.

As Mulheres e as Famílias Brasileiras

     A antropóloga, escritora e pesquisadora Mirian Goldenberg iniciou o debate instigando os presentes a refletir sobre a divisão das tarefas domésticas no Brasil. "A mulher entrou no mercado de trabalho, mas o homem não entrou em casa", afirma a especialista. Mirian destacou o uso do verbo "ajudar" quando mulheres referem-se à participação dos homens na limpeza e tarefas do lar, o que indica que elas se sentem responsáveis pelo trabalho e que delegam funções aos maridos. "E a mulher brasileira não abre mão desse poder, ela resiste a mudar e, com isso, segue insatisfeita por conta da falta de tempo para si mesma e reconhecimento dentro de casa". Esse conflito das brasileiras apontado pela antropóloga, que há vinte anos estuda o comportamento das mulheres, inspirou a realização de uma pesquisa exploratória com vinte casais apresentada durante o evento.
     Intitulada "Brigas Nunca Mais", a pesquisa permitiu com que Mirian identificasse cinco tipos de casais. O mais comum é o "Conservador Tradicional", perfil identificado em oito dos vinte casais no qual o homem é o provedor e a mulher a dona de casa. Esse casal não briga muito, mas também não se diverte. Os casais "Pré Modernos", os que mais brigam, são aqueles em que o homem ajuda com as tarefas, mas a mulher ainda é a protagonista e não abre mão do controle doméstico. O casal "Moderno", no qual todas as tarefas são negociadas e divididas igualitariamente, é o que apresenta a relação mais cansativa e um dos que menos aproveita a casa. Os casais "Genderless" ou "Pós Modernos", por não carregarem a distinção simbólica de gêneros, são os que dividem melhor os afazeres e mais se divertem. Já o modelo "Invertido", identificado em apenas dois casais da amostra, traz o homem como o grande respons ável pelo controle dos afazeres domésticos. Nesses casais, o homem tem autonomia para realizar as tarefas a sua maneira, incluindo a aquisição de eletrodomésticos facilitadores. "A mulher compete com os eletrodomésticos, tem dificuldade para atribuir a eficiência de uma atividade a um aparelho e faz questão de demonstrar seu esforço, enquanto o homem é mais prático", comentou Mirian. "Só encontrei máquinas lava-louças nas casas dos casais Invertidos", afirma a antropóloga para exemplificar como o homem lida com os trabalhos domésticos de maneira muito diferente das mulheres.

As Contas da Família

     Uma das principais referências brasileiras em finanças pessoais, Mara Luquet ressaltou como o aumento da expectativa de vida e o acesso ao crédito no Brasil promovem uma mudança brutal nas famílias brasileiras do ponto de vista econômico e de consumo. "A taxa de juros no País já foi de 44% na década de 1990 e, hoje, com a estabilidade monetária e o maior acesso ao crédito, vivemos em um ambiente muito favorável para o aumento de renda e, consequentemente, de consumo", comentou a especialista. Mara aponta que o cenário favorece a possibilidade de escolhas e apresentou uma ferramenta que calcula e compara, ano a ano, a economia conquistada com a troca de uma mensalista por uma diarista e a aquisição de eletrodomésticos facilitadores do trabalho.
    "Comprando uma lava-louça, lavadora de roupas e secadora, com investimento de R$ 4,5 mil é possível dispensar a empregada doméstica e contratar uma diarista. Comparando o custo que a família teria com cada uma destas profissionais, o valor economizado em cinco anos seria de quase R$ 50 mil (considerando investimento conservador com rendimento de 3% a.a.)", explicou. O software fez o cálculo considerando o valor da depreciação dos equipamentos e a troca destes, (com vida útil estimada de cinco anos) e o impacto do aumento de energia com o uso dos eletrodomésticos. A ferramenta estará disponível no site da editora Letras & Lucros, comandada pela especialista: www.letraselucros.com.br

Tabela com a comparação custo empregada doméstica/diarista

Custo anual - empregada doméstica mensalista R$ 18.224,00
Custo anual - empregada diarista R$ 8.200,00
Investimento na compra dos eletrodomésticos - lava-louça, lavadora de roupas e secadora R$ 4.500,00
Economia no 1º ano com a diarista + o investimento nos equipamentos R$ 5.524,00
Economia no 2º ano com a diarista (comparativo com a empregada mensalista) R$ 10.024,00
Economia em cinco anos, com aplicação rendendo 3% a.a. R$ 45.152,99

Novos Lares, Novos Espaços para a Família

   O designer Marcelo Rosenbaum apresentou as principais mudanças nos ambientes domésticos dos grandes centros urbanos a partir de uma contextualização histórica e cultural, evidenciando um resgate de valores indígenas que envolvem o sentimento de coletivo e comunidade. Nos grandes condomínios, em que os apartamentos estão cada vez menores, a área comum virou um espaço de convívio que reflete a existência de uma comunidade. "Do ponto de vista do consumo de utensílios domésticos, vivemos em uma nova grande aldeia", comentou.
    As tendências que surgem no mercado imobiliário também representam um resgate de valores segundo Rosenbaum. Os ambientes integrados, nos quais a cozinha é valorizada e conectada à sala de estar, favorecem o convívio familiar, por exemplo. Rosenbaum ainda revelou que a cozinha e o banheiro são os primeiros cômodos reformados pela grande maioria das famílias. "Na cozinha, a mulher aceita a tecnologia e a decoração moderna com mais facilidade", afirma o designer.

Divulgação: (da esq. para a dir.) Mirian Goldenberg, Mara Luquet, Mônica Waldvogel, Marcelo Rosenbaum e Mario Fioretti participam da 1ª edição do evento "Casa de Tendências"

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