terça-feira, 20 de outubro de 2015

Obra de Lina Bo Bardi é esmiuçada em seis livros lançados pelas Edições Sesc São Paulo e IPHAN

A arquiteta de origem italiana ganha caixa de livros dedicada a projetos desenvolvidos em Minas Gerais, Salvador e São Paulo

No dia 22 de outubro, no Sesc Pompeia, as Edições Sesc São Paulo e o IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) lançam, em parceria com o Instituto Lina Bo Bardi, uma coleção de seis livros sobre a obra da arquiteta de origem italiana Lina Bo Bardi, sendo um inédito (sobre o Solar do Unhão) e cinco revistos e ampliados. Com organização de Marcelo Ferraz, textos da própria Lina, de André Vainer, Cecília Rodrigues dos Santos, dentre outros, os livros trazem croquis, aquarelas, desenhos simples feitos à mão, maquetes, imagens da época das construções e fotos atuais.

Cada publicação é inteiramente dedicada a uma obra da arquiteta: Solar do Unhão, em Salvador; Igreja do Espírito Santo do Cerrado, em Uberlândia; e os paulistanos MASPSesc Pompeia, Teatro Oficina e Casa de Vidro. A edição bilíngue (português e inglês) traz depoimentos de Lina Bo Bardi a respeito de seus projetos, somados a análises contemporâneas dessas obras e farta ilustração. Os títulos foram originalmente publicados em Portugal.

No caso do MASP, o Museu de Arte de São Paulo, uma das obras mais icônicas da capital paulista, o projeto é esmiuçado tanto nas questões de sua estrutura, como de seu uso. No livro, a arquiteta conta uma curiosidade a respeito do seu famoso vão. Lina conta que “não foi uma excentricidade, o que em linguagem popular se poderia chamar uma ‘frescura arquitetônica’”. A arquiteta detalha que o terreno foi doado por uma família de São Paulo que impôs como condição a manutenção daquela vista, que deveria ficar para sempre na história da cidade. A vista não poderia ser destruída nunca, pois, nesse caso, o terreno voltaria aos herdeiros. Esta publicação também conta com textos do arquiteto holandês Aldo van Eyck.

Com textos de Lina, André Vainer, Marcelo Ferraz e Cecília Rodrigues dos Santos, a obra dedicada ao Sesc Pompeia remonta a sua história a partir do primeiro contato da arquiteta com o local. ‘Entrando pela primeira vez na então abandonada Fábrica de Tambores da Pompeia, em 1976, o que me despertou curiosidade, (...) foram os galpões distribuídos racionalmente conforme os projetos ingleses do começo da industrialização europeia (...). Na segunda vez em que lá estive, num sábado, (...) (encontrei) um público alegre de crianças, mães, pais e anciãos passava de um pavilhão a outro’, rememora a arquiteta.
  
Sobre o Solar do Unhão, projeto realizado em Salvador, André Vainer conta, no texto de abertura, que o espaço ‘foi construído em oito meses, durou um ano e meio há 50 anos e permanece até hoje como uma sombra do que ali se passou. Solitária, dedicada e tomadora de conta, Lina trabalhava 14, 16 horas por dia para edificar o que poderia ter sido e foi, por um instante, um projeto político para uma região do país dominada por oligarquias seculares que pretendiam, na manutenção da miséria, o poder sem fim’. 

O arquiteto Edson Elito, narra, sobre a grande reforma do Teatro Oficina, nos anos 1980, que ‘as reuniões de trabalho eram feitas ao redor de uma grande mesa circular de mármore, após a pasta e o vinho, ou ao pé da lareira, na Casa de Vidro, residência de Pietro e Lina’. Na publicação, ainda há texto de José Celso Martinez Corrêa, diretor teatral à frente do Oficina há mais de 60 anos e que vem encenando inúmeros textos teatrais e épicos em seu espaço.

Já a Casa de Vidro é conhecida por ter sido a residência oficial de Lina e seu marido, Pietro, em São Paulo. O livro dedicado a ela tem textos da própria Lina e de Marcelo Ferraz. Lina conta em seu texto que ‘a casa Bardi foi a primeira casa que se construiu no Jardim Morumbi, quando o bairro ainda tinha esse nome (antiga Fazenda de Chá Müller Carioba). (...) Atrás da antiga Casa da Fazenda, toda branca e azul, que conservava ainda os ferros e as correntes do tempo da escravidão; os enormes tachos, bacias de cobre e outros utensílios; e atrás ainda da senzala (...), estendia-se o lago (...), com uma mata Atlântica ao fundo’.

Única obra de Lina em Minas Gerais, a Igreja Espírito Santo do Cerrado, em Uberlândia, hoje tombada como patrimônio histórico, é um conjunto de igreja, centro comunitário e casa paroquial e foi construída em conjunto com a comunidade. Lina conta: ‘A igreja foi construída por crianças, mulheres e pais de família, em pleno cerrado, com materiais muito pobres: coisas recebidas de presente, em esmolas. (...) O que houve de mais importante na construção da Igreja do Espírito Santo foi a possibilidade de um trabalho conjunto entre arquiteto e mão de obra’.

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Lina na Casa de Vidro

FICHA TÉCNICA
Coleção Lina Bo Bardi
Organização Marcelo Ferraz
ISBN: 978-85-7995-181-7
Formato: 24 × 16,5 cm (caixa com seis livros)
Português/inglês


As publicações das Edições Sesc São Paulo podem ser adquiridas em todas as unidades Sesc SP (capital e interior), nas principais livrarias e também pelo portal www.sescsp.org.br/livraria

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